quarta-feira, 4 de julho de 2007

Anúncio oficial: carta-renúncia

Era uma vez um sonho chamado Copa Paulo Francis. Eu havia acabado de começar o curso. Soube que ali, em meados de 2003, seria realizado, pela primeira vez, um torneio envolvendo estudantes de jornalismo. Vi a CPF nascer. Apostei na idéia. Cresci com ela. Agora, fico triste ao ver que a história erguida há meia década se dissipa nas valas de interesses pessoais.

Querer enxergar a Paulo Francis simplesmente como um momento de reunir amigos é negar a tradição do certame. O campeonato só sobreviveu solidamente durante o passar dos anos porque sua essência sempre foi preservada. A amizade sempre pesou, mas nunca falou mais alto que a responsabilidade de cuidar da saúde do torneio.

A copa, no entanto, está doente. Agoniza. A tentativa de desfigurar a CPF soa como a crônica de um fim anunciado. O que era uma competição entre universitários agora já não é mais. Aceitam-se jornalistas formados. Amanhã, médicos, pedagogos, engenheiros ambientais e sociólogos também jogarão. De todas as universidades e afins. Paulo Francis não terá mais sentido. E o futebol sem sentido perde a força do brilho.

Melhor renunciar a ser co-responsável pelo fim de um sonho. Melhor dormir com as lembranças boas da CPF a viver o pesadelo de vê-la rumar ao abismo. Precursores desse império, Benjamim De Moura, Felipe Pequeno e Arthur Gomes sempre pensaram em cada tijolo que ergueram. Não deixaram falhas na construção. Nem mesmo o criador do nome da copa e maior artilheiro em uma única edição de Paulo Francis foi beneficiado na condução de episódios polêmicos. Dudu Maia ficou de fora no momento em que queria continuar jogando. Outro matador, Diogo López, também foi barrado pela diretoria. Tudo para não fazer ruir os pilares em que o torneio se sustenta. Nomes deixados ao relento. Sagas ignoradas.

Até aceitei a hipótese de a PIA continuar no certame pelo fato de eles terem gente suficiente para formar um time entre aqueles que ainda não concluíram o curso. Mas é inadmissível compactuar com o plano de acolher profissionais num espaço idealizado para aspirantes. O diploma é o início do sonho de ser jornalista, mas também deveria significar o fim da quimera denominada Paulo Francis. Estão ferindo a alma do torneio. E eu não posso ser partícipe dessa agressão, haja vista que, enquanto dirigente, sempre defendi os interesses da copa e prezei pela sua tradição.

Renuncio à condição de presidente da CPF e abandono oficialmente os gramados para manter impolutos meus princípios e minhas verdades. Hoje, alguns podem condenar minha saída. Mais adiante, contudo, me darão razão, quando descobrirem que um dia existiu um sonho chamado Copa Paulo Francis e perceberem que esse sonho se desfez ao calhar da manhã.

Bom jogo a todos. :P

Wagner Sarmento, 04/07/2006.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Wagner, refiro-me a você neste comentário não como o amigo pra todas as horas, mas como a pessoa em quem a primeira direção da Copa Paulo Francis apostou como fiel depositário do ideário do torneio. Se a Felipe, a Arthur e a mim coube o trabalho árduo de tirar da inércia os que acreditavam que não seria possível criar algo que envolvesse todos do curso, a você foi reservado o trabalho de montar e comandar uma nova equipe que pudesse firmar o torneio. Tarefa que você designou com competência à frente da presidência.
    O trabalho da equipe montada por você orgulha a todos que pensaram, planejaram e tiraram do papel a Copa.
    Prometi não me envolver nas questões competição depois que me formasse, até como forma de preservar um dos preceitos da CPF: uma copa feita por estudantes de jornalismo para estudantes de jornalismo.
    Não cabe a mim julgar se sua renúncia é certa ou errada. Mas cabe a mim, como conselheiro da CPF, dizer que nós do Conselho não esperávamos atitude diferente de quem acreditamos ser o mais indicado para entrar para galeria dos que contribuíram de forma efetiva para tornar a Copa Paulo Francis o sucesso que é hoje.

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